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A Educação está totalmente desorganizada. A ministra (Maritza Rosabal) está a utilizar o terror, a intimidação, o medo e ameaças para condicionar os professores no exercício da sua profissão e liberdade. A denúncia parte do líder do Sindicato Nacional de Professores, Nicolau Furtado, depois de ter encontrado, esta quarta-feira, com a líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, para informar da situação que se vive no sector da Educação em Cabo Verde.
 
A par do estado de caos referido no sistema educativo, o sindicalista fundamenta que o clima de terror é vivido sobretudo na Ribeira Grande de Santiago, em que a ministra e outros dirigentes do ME não deixaram os professores a exprimirem as suas preocupações. « Isso é gravíssimo num estado de Direito Democrático como é o caso de Cabo Verde», contesta Nicolau Furtado.
 
Referindo-se ao caso de suspensão de mais de  300 professores, o presidente do SINDEP diz ser ilegal. «Não é legal suspender os professores, porque em primeiro lugar o ME tinha que fazer um levantamento dessa eventual situação.  Isto porque tenho conhecimento de vários professores que foram suspensos vencimentos e estão agora a trabalhar. Por isso, não corresponde totalmente a verdade aquilo que a sra Ministra disse », afirma, criticando que Maritza Rozabal teve tempo suficiente – de dois anos – para fazer o levantamento da situação em causa. «Portanto, acho estranho o anuncio feito pelos dirigentes do  ME e já acabaram com isso», remata em risos.
 
A fazer fé no quadro acima descrito na reunião com as representantes do SINDEP, a líder do PAICV conclui, por sua vez, que a educação em Cabo Verde vai de mal a pior neste momento. «Constatamos que a Educação vai muito mal neste país. Eu diria até, utilizando as palavras dos representantes do SINDEP, vai de mal a pior. Toda a reforma do sistema de ensino que o governo do MpD tem propalado mais não é que uma desorganização da rede educativa, feita mediante uma cópia de outras paragens e sem as necessárias adaptações às especificidades de Cabo Verde».
 
Janira Hopffer Almada critica o modelo de Agrupamentos introduzido com a reforma, que está a criar muitos problemas a nível do sistema educativo nacional. «Veja que nesta reforma, temos os Agrupamentos Escolares que, para além de estarem a provocar o abandono escolar, estão a sobrecarregar os professores –  têm muitas vezes que leccionarem em três estabelecimentos diferentes-, enquanto existem vagas no ME e professores formados no desemprego. Portanto, é uma questão que nos preocupam, pois que o governo em matéria da Educação tem de actuar com mais responsabilidade e ponderação, não hipotecando  o futuro do país».
 
 
 
{{{Pendentes e falta de abertura para diálogo}}}
 
 
JHA salienta, por outro lado, ter constatado que é uma grande falácia todo o discurso da resolução dos pendentes que vem sendo propalado pelo governo em geral e pelo PM, em especial.
 
Detendo-se sobre este particular, Nicolau Furtado fez questão de realçar que, desde 26 de Setembro do ano passado, o SINDEP solicitou um encontro com a ministra da Educação, mas ela continua a esquivar-se ao encontro para negociação dos pendentes. «Nós já colocamos as reivindicações por escrito, que têm a ver com as reclassificações de 2014 e 2015, que eram para ser publicadas em Fevereiro deste ano e ainda não aconteceu; há subsídios pela não redução da carga horária, que se remontam desde 2012 a 2018, ainda não pagas; temos também a rectificação de subsídios pela não redução da carga horária que foi publicada de acordo com o actual estatuto e que tem que ser alterada – porque antes pagava-se em percentagem e agora paga-se em numerário».
 
O responsável máximo da organização representativa da classe docente cabo-verdiana acrescenta que existem professores desempregados, mas crítica que o Ministério da Educação está a acumular as funções desses docentes com as dos que se encontram no sistema. Por isso, não há, segundo a mesma fonte, qualidade no ensino e professores ficam desempregados.
 
 «Os professores estão, por outro lado, a queixar-se dos directores de Agrupamentos e Subdirectores pedagógicos, porque não estão a pagar. Existem outros problemas como subsídios pela não redução da carga horária dos professores que já passaram para a reforma e que têm esse direito e o ME não os quer pagar. Há ainda docentes que vão para pré-reforma sem beneficiar dos mesmos subsídios», conclui o presidente do SINDEP.