Dia do professor: SINDEP alerta sobre perseguição e tentativa do Governo de ofuscar com revisão o estatuto do pessoal docente.

«Neste momento difícil em que os professores cabo-verdianos assistem a não resolução dos pendentes, assistimos a não resolução das reivindicações pendentes, verificamos uma campanha estranha de tentar ofuscar (com proposta de revisão) um estatuto moderno e consensual dos professores, negociado com o anterior Governo da República». É desta forma como o vice-presidente e secretário permanente do SINDEP qualificou, esta segunda-feira, a situação por que passa a classe docente cabo-verdiana.

Jorge Cardoso fez, hoje, 23, estas afirmações, em conferência de imprensa realizada na sede do Sindicado Nacional dos Professores, na Praia, para assinalar a passagem do dia do professor cabo-verdiano.

Referindo-se à situação actual dos docentes, o dirigente do sindicato nacional mais representativo dos docentes no país – tem mais de quatro mil associados neste momento - fez questão de realçar que o ambiente é de clara perseguição aos mesmos pelo actual Governo de Ulisses Correia e Silva. «Infelizmente o que assistimos hoje é perseguição, intimidação dos professores por parte do actual Governo do MpD, através da ministra da Educação e demais dirigentes do mesmo ministério», lê-se na comunicação distribuída à imprensa.

O vice-presidente do SINDEP crítica, por outro lado, a postura da ministra da Educação de tentar fugir ao diálogo para negociar as reivindicações pendentes da classe docente. «Em vez de se sentar à mesa com os sindicatos de modo a encontrar soluções para a classe, a ministra da Educação continua a esquivar-se na vá tentativa de enganar os professores e toda a sociedade cabo-verdiana, continuando sem resolver os problemas pendentes», pontua o conferencista.

Nesta particular, Jorge Cardoso precisa que faltam as publicações das reclassificações de 2014 a 2017, o pagamento dos subsídios pela não redução da carga horária de 2012 a 2015 em percentagem e os de 2016 a 2018 em numerários. Segundo ele, está ainda por ser pago o subsídio pela não redução da carga horária aos recém-aposentados e sua inclusão no cálculo das pensões. O também secretário permanente do SINDEP lembra ainda como reivindicação da classe a excessiva carga horária aos professores que estão na pluridoscência, em total atropelo ao estatuto da carreira do pessoal docente.

 

«Alertamos a todos os professores para se mantiverem vigilantes, pois, o Estatuto aprovado pelo anterior Governo - tendo sido objecto de amplo consenso -, deve, acima de tudo, ser cumprido antes de se pensar na sua revisão, o que, a concretizar-se, poderá resultar em perda de regalias em vez de ganhos improváveis», apela Jorge Cardoso, para quem o SINDEP espera contar com o apoio de todos os professores. Tudo, segundo ele, para que possa exigir o Governo que cumpra o que, a muito custo e após longas e difíceis negociações, foi conseguido pela classe docente cabo-verdiana.